house.tree.person

house.tree.person foi um projeto de blog que nasceu em conjunto com um amigo formado em psicologia, no contexto de uma conversa despretensiosa em que ele me explicou sumariamente no que consistia o tal teste psicológico. eu entendo muito pouco, nada, mas me preocupei em justificar e contextualizar melhor o título, e encontrei no google scholar um artigo breve que descreve sucintamente o teste, e ainda relata uma experiência de aplicação. eu achei bem legal, se alguém quiser ler, aqui está. trocando em miúdos muito leigos, e citando o artigo já mencionado: “…essa técnica projetiva gráfica envolve, em um primeiro momento, a execução dos desenhos de uma casa, de uma árvore e de uma figura humana. (…) Em um segundo momento, adota-se um inquérito específico com o intuito de complementar a atividade gráfica com a comunicação verbal.” eu pirei imaginando a profusão de desenhos (tentem o house tree person no google imagens) e todas as associações e histórias possíveis de inventar a partir daí. o blog não deu certo. só um post, desse meu amigo, viu a luz da tela do computador. mas a impressão nunca saiu de mim e por isso resolvi criar aqui uma coluna de imagens, onde caberá toda e qualquer digressão:

                                                   

desenhado por André Bomfim em 04/04/2009.

o sussurro persistente do vento no deserto

a tenda estava posta no meio do nada. quem há de dizer que não?

a palavra soprada era relembrar.

a entrada era de manuseado tecido: a saia terminando sua caída no quadril, o corpo deslizando sob o lençol, a primeira mulher adentrando a tenda.

o espaço oferecia muito chão e poucas cores, tampouco a natureza lá fora tinha mais que um céu azul-dia, ao menos é o que viam esses olhos desabituados: sépia, areia, cobre, tanto marron e branco encardido. o menino branco quase louro sentado no tapete vestia única túnica e sequer moveu os olhos, fixos e serenos à entrada da mulher.

a palavra soprada era remissão.

a simplicidade da recepção não intimidou a visitante, mas o desconforto estava à espreita: outra parede-pano, ao ser tocada, revelou a mulher original. descobertas pernas esguias e o cabelo escuro e longo, levemente anelado. foi só um golpe de vista antes do escorrer do algodão, de volta à gravidade inicial, bloqueando a visão: não.

a palavra soprada era respeito.

o moço-menino-oráculo, só ele  podia entender a palavra incompreensível: à maledicência, ele escolheu o não-dizer-nada.

a palavra soprada era reinventar.

algumas amizades terminam aos gritos loucos, outras permanecem na paz e no silêncio do nunca mais.

a palavra soprada era re-esquecer.