a me enfrentar com a leitura bonita de tema difícil: mais do que aguentar o quanto der

“naquele tempo, sem braços e sem pernas, sem olhos e perdendo a voz, absolutamente sem coração, eu não comunicava. era notório que entendia o que me diziam e poderia corresponder a alguns chamados com atenção e respeito, mas não se começavam grandes conversas porque eu não proferia palavra alguma. tinha a voz afundada no húmido dos órgãos e não havia modo de a secar ao cimo do hálito.”

“éramos por igual todos cidadãos da mesma coisa. andar para frente com os instintos de sobrevivência a postos com antenas. eis a emissão certa, a propaganda que não podíamos dispensar, sobreviver, seguramo-nos, e aos nossos, e abrir caminho até morte dentro. essa é que era a essência possível da felicidade, aguentar enquanto desse.”

(máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, pp. 27 e 118, cosacnaify)

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