4 de março de 2012, domingo

minha avó soube deste blog pela minha mãe, juntas deram uma olhadinha. e eu disse que ela podia escrever se e quando quisesse.

no domingo 4 de março, recebi um e-mail, dela mesma, com um textinho curto. e este será o primeiro guest post deste blog:

Minha neta fez um blog em que sou figura principal. Pelo menos minha foto está lá. Não vou muito com a minha cara, mas até que eu estava bem. Fiquei muito orgulhosa. Me disseram que eu posso escrever no tal de blog. Pensei em falar sobre essa neta de que tanto gosto. Quando ela era pequena, dizia: Eu queria tanto que minha avó sesse a minha mãe. Isso me marcou muito, pois eu também queria ser a mãe dela. Encontrei em minhas coisas uma anotação: Nasceu minha neta Tereza Cristina. É forte, clarinha, muito linda. Graças a Deus por ela e por minha filha que fez cesariana e passa bem. Isto aconteceu no dia 16 de agosto de 1982, segunda-feira e pode crer que foi um dia muito feliz em minha vida. Temos tido uma estória de amor e muito pouco estranhamento há quase trinta anos. Não sei se ela continua a querer ser minha filha. No que diz respeito a mim, ela nunca deixou de ser.

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são avós

eu reconheço a ousadia e disparate de querer reproduzir aqui os poemas do arnaldo antunes, desrespeitando quase que completamente o seu aspecto gráfico e tão essencial. alguns dirão que isso é uma besteira, outros mais puristas ou sérios dirão que eu nem mesmo mereço qualquer atenção. com estes dois eu concordaria em parte. e mesmo assim, em alguns locais e ocasiões a gente acaba fazendo praticamente só o que quer. é o meu caso aqui e agora. o livro é “as coisas” e se eu fosse você, eu ia lá. o poema é uma homenagem que dispensa explicações.

Neto e neta são

netos, no mas-

culino. Filho e filha são filhos,

no masculino. Pai

e mãe são pais, no

masculino. Avô e

avó são avós.

águas passadas movem moinhos

recolher meus cacos “literários” por aí. como quem não pode com a ideia dos móveis antigos da avó indo embora tão facilmente, me deixa reter alguma coisa deste mundo, neste mundo: “Dai pois a César o que é de César”. como quem já sabe de longa data que a joia de família é a bijuteria de pieguice impossível, que mais fala ao coração.