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eu fui criada em um catolicismo nada rigoroso, mais bem da verdade em uma “religiosidade holística” que poderia ter sua máxima no já clichê “há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia” (livre e leviana citação, que escutei em casa boa parte da infância e adolescência). pronto, nessa frase cabe quase tudo.

respeito as crenças alheias e estou, eu também, inundada das minhas próprias. e ainda acho difícil que alguém passe por essa vida sem nunca ter tido uma experiência transcendente, o além-eu. isso é o tempo todo, chame como quiser.

isso dito, não tenho e não sei se terei um dia alguma religião, mas não posso acreditar em nada que esteja além da vida, antes de estar profundamente ligado à vida.

pra mim, ou deus está aqui agora e sempre e no outro, ou não está. se há outra vida, eu não conheço. nesta aqui, eu ainda estou: i believe in life.

peguei a foto no post da lola sobre a manifestação dos ateus americanos, em Washington DC. achei o cartaz simplesmente justo.

29 de março de 2007

o avesso

Foi a Solidão quem me deixou na rua por mais tempo esta noite.
Aquela lembrança – vestida de azul no último encontro – cabe em muitas mulheres.
Pouco me importa que o conjunto não seja o mesmo, se eu nunca te tive na inteireza da vida – horas, semanas e meses de partida anunciada – sou bem capaz de me contentar com uma parte pelo todo.
Em qualquer traço ou gesto alheio incomum eu saboreio o mesmo gosto da tua beleza exótica.
O vislumbre da tua fé sustenta a minha paz de espírito.
“Dai-me tuas certezas” – eu clamaria de noite se tivesse o hábito de rezar.