são avós

eu reconheço a ousadia e disparate de querer reproduzir aqui os poemas do arnaldo antunes, desrespeitando quase que completamente o seu aspecto gráfico e tão essencial. alguns dirão que isso é uma besteira, outros mais puristas ou sérios dirão que eu nem mesmo mereço qualquer atenção. com estes dois eu concordaria em parte. e mesmo assim, em alguns locais e ocasiões a gente acaba fazendo praticamente só o que quer. é o meu caso aqui e agora. o livro é “as coisas” e se eu fosse você, eu ia lá. o poema é uma homenagem que dispensa explicações.

Neto e neta são

netos, no mas-

culino. Filho e filha são filhos,

no masculino. Pai

e mãe são pais, no

masculino. Avô e

avó são avós.

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águas passadas movem moinhos

recolher meus cacos “literários” por aí. como quem não pode com a ideia dos móveis antigos da avó indo embora tão facilmente, me deixa reter alguma coisa deste mundo, neste mundo: “Dai pois a César o que é de César”. como quem já sabe de longa data que a joia de família é a bijuteria de pieguice impossível, que mais fala ao coração.