12 de dezembro de 2005

“How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d…” (Eloisa to Abelard, Alexander Pope)

Um cheiro doce.
Tinha uma série de lembranças cansadas que outrora eram a única fonte vital pulsando ofuscada pelo opaco espectro de luz branca do presente.
– Do que você mais gosta?
A moça fazia perguntas difíceis.
E se pudesse parar de pensar?
Achava que sentia alguma coisa parecida com… Nada.
E o nada era além do cansaço, a vontade de pensar o viver outra coisa.
Tudo aquilo: comer, conversar, dançar, ler, amar… Eram como uma mesma coisa e tudo era ameno e bom, ou mais bom do que ruim.
– O céu deve ser essa pasmaceira…
Sim, isso menos as novas vontades. 
As novas vontades não levavam para o céu, porque lá já teria morrido.
Abriu os olhos nublados, eram muito iguais os olhos dele, os mesmos.
E era de repente e devagar que ele acontecia (de) novo.
– Tudo se entende de mil maneiras…
As sensações existiam assim, por si, estava no mundo. E a intenção dos gestos era a cumplicidade acidental, um truque de mágica qualquer.
– Me dá sua mão?