8 de março de 2005

passei em frente a sua casa

O silêncio confortável da sua companhia, as ideias compartilhadas, esse à vontade que eu tanto almejo, que às vezes penso ser só o que almejo – alguém aqui – você ali.
São cotidianas as alegrias que tenho a oferecer.
E era cotidiana a presença do seu afeto, do qual eu não podia compartilhar.
Em cada encontro a identificação de um sentimento desencontrado.
Eram outros os contornos do meu desejo e é impossível saber ao certo como negociam entre si a escolha e a condição.
Não é bonito poder te compreender, porque é cruel.
São de diferentes naturezas a compaixão e a reciprocidade. Eu também estive do seu lado, mas eu não estive pra você.
Foi espanto pensar – de repente – como você pode prestar tanta atenção em mim, por tanto tempo, e ainda assim me achar bonita.